Provavelmente o filme mais importante da década de noventa, Pulp Fiction foi dirigido brilhantemente por Quentin Tarantino de forma não linear misturando ação, violência e humor de forma rápida e inteligente e com sutileza paquidérmica. Com certeza um filme para ser visto e revisto milhões de vezes, e será surpreendente.
Foi um filme que não só a linguagem é inovadora e grandiosa, mas a maneira como o mafioso, é colocado. Mafioso, como o vilão antes tão distante de todos. Vilão que era facilmente odiado, e acabava ficando por diversas vezes apagado pelo herói protagonista, agora toma para si a obrigação de carregar a história. E como se só isso não fosse o bastante, Tarantino ainda nos mostra como o vilão é uma pessoa comum, e igual a todos nós; fazendo as mesmas coisas e fazendo referências culturais com o mesmo embasamento que qualquer “cidadão exemplar” de uma sociedade careta. Algo que, certamente, incomoda os moralistas de plantão que insistem em acreditar que a violência e o “sub-mundo” está longe deles.
Esta humanização do “vilão”, é ainda mais marcada quando nos diálogos nos é mostrado temas que não são tão relevantes para a história em si, mas são importantíssimos para a criação das personagens e enriquecimento da diegese narrativa assim como embasamento de temas sociais importantíssimos que dificilmente seriam discutidos de outra forma. Incrível como nenhum diálogo é desnecessário, mesmo não ajudando a carregar a história. É o caso de um dos primeiro diálogo do filme, quando Vincent (Travolta)e Jules (Jackson) conversam sobre Big Macs e Buger Kings; “são as pequenas diferênças” que tornam as coisas legais e interessantes. De fato um filme que julga o expectador como um ser inteligente e pensante, chutando de lado a narrativa obvia do “o herói salva o dia”.
A própria estrutura narrativa influenciou um sem número de filmes que hoje em dia tem múltiplos plots e narrativas não lineares. Com certeza estes filmes buscam se aproximar de Pulp Fiction de uma forma até que um pouco desesperada, sempre querendo infrutiferamente se igualar a obra prima de Tarantino. Em sua narrativa, de certo modo, cíclica, o filme nos da vontade de assistir novamente assim que acaba.
Um filme que trata de drogas, contrabando, violência e estupro homossexual sadomasoquista por parte de um… policial, veja só, nunca foi tão contrastado, com cenas de lealdade e amor de um lutador de boxe por sua companheira burrinha.
Outra coisa que é imensamente importante sobre o filme, é a maneira como o tempo é materializado na tela. Já falei que é um filme que não segue uma linha narrativa linear, e a maneira que Tarantino encontrou para nos mostrar o quanto ele se importa com o tempo, foi em dar para Butch (Willis) um relógio, que o avô passou pela guerra com o relógio para entregar ao pai que pasou por outra guerra com o relógio e foi preso e teve tudo levado e o único lugar que ele pode esconder o relógio foi em seu ânus, e quando foi levado para morte, entregou para o melhor amigo, que também escondeu o relógio da mesma maneira… Enfim, Tarantino com toda sua sutileza, nos mostrou que ele realmente enfiou o tempo no cu, ao fazer este filme. Simplesmente brilhante! Um filme que ira demorar muito para ser ultrapassado, se é que um dia será.









Como lhe disse, não consigo entender todas as mensagens do grande Tarantino, mas no turbilhão de seus filmes, não só, vemos as feridas como elas realmente são, mas também, a delicadeza de cenas como a seqüência da dança entre Uma Thurman e John Travolta. Vai aqui uma homenagem do mestre aos Embalos de sábado? Parabéns pelo artigo, filho, muito bom!