Filmes de zumbi são sempre controversos. Uns amam, outros odeiam. E é aqui que Zombieland se destaca, quando mesmo assistindo o filme com uma pessoa que assumidamente detesta filmes de terror e zumbi, sai dando gargalhadas do cinema.
Logo de cara, vemos os Estados Unidos devastados por uma infestação de zumbis, que teve inicio quando um cara comeu um hamburger infectado – OK, é uma desculpa fajuta, mas qual não é? – E então que nos é mostrado nosso protagonista, Columbus (interpretado por Jesse Isenberg), o mais distante possível de um herói desde Wikus Van der Merwe em Distict 9, tentando sobreviver neste ambiente caótico, segurando-se fortemente a uma série de regras que eles mesmo criou para sobreviver, na melhor forma que um transtorno obsessivo compulsivo pode nos presentear.
Andando um pouco mais na história, temos o encontro dos opostos, Tallahassee entra em cena, interpretado pelo fantástico Woody Harrelson, nos mostrando que “Se eles não tem medo, por que deveriamos ter?” E com a vinda de Tallahassee, temos que nem sempre a motivação de um personagem tem que ser algo grandioso como salvar o mundo, lutar pela paz mundial ou curar a AIDS; neste caso é apenas uma incansável busca por Twinkies, a versão americana do nosso delicioso bolinho Ana Maria.
Tallahasse se diverte com os zumbis, matando-os das maneiras mais engraçadas e violentas quanto é possível. Tacos de baseball, banjos e tesouras de jardinagem entram na brincadeira pouco antes de encontrarmos as duas ultimas integrantes desta trupe de sobreviventes. Wichita e Little Rock.
Aqui vale uma pausa para entendermos os nomes das personagens. Columbus, Talahassee, Wichita e Little Rock são nomes de cidades nos Estados Unidos. Talahasse faz uma referência ao “Ultimo Tango em Paris” de Bernardo Bertolucci, quando diz: “No names!” – Sem nomes – e a partir daí, eles se chamam pelos nomes das cidades de onde vieram, ou para onde estão indo. A frase originalmente foi dita pelo excelso Marlon Brando.
Voltando ao filme. É aqui que a aventura realmente começa, as duas garotas, acostumadas a aplicar golpes para sobreviver, roubam as armas dos dois e fogem com o carro deles. Aqui segue uma sequencia de coincidências hilárias que fazem com que o grupo acabe junto novamente, e Columbus, busque sua namorada, e Talahassee uma filha.
Enfim, como filme de zumbi tem que ter muito sangue, gore, balas voando e cabeças explodindo. O melhor lugar para toda essa diversão acontecer é: Num parque de diversões! Isso mesmo, é no lugar mais improvável, que os nossos heróis vão lutar pela sobrevivência. Montanha Russa, Evador que despenca e casa mal assombrada são passagem obrigatória, e Talahassee se diverte como nunca, Columbus finalmente fica com a garota e o bolinho… bom essa eu não quero nem comentar. A cara de Woody Harrelson é impagável.
Vale a pena falar separadamente na participação de um herói. Bill Murray, como ele mesmo! Uma das coisas mais engraçadas do filme. Murray é realmente um dos melhores atores cômicos de todos os tempos. Em pouco tempo de tela consegue ser o assunto do filme, assim como Marlon Brando… Bom, não quero comentar sobre a participação dele para não estragar a cena. Mas simplesmente impecável.
Assim como as ficções científicas, filmes de zumbi são sobre relações humanas. Como as pessoas se comportam em determinadas situações, revelando o intimo de cada uma das personagens. Nos mostram relações familiares, de amizade, de comprometimento com o proximo. A única coisa, é que voam algumas cabeças ou explodem algumas estações espaciais.
Zombieland, é um filme didático para aqueles que não conhecem muito bem a diegese do universo dos zumbis. Nos mostra as relações, a conceito de evolução de armas e a adaptação com a nova realidade, necessária para sobreviver. Única ressalva: Onde estava a Serra Elétrica? Aparição muito curta para uma companheira tão importante! Fora isso. FANTÁSTICO, simpesmente fantástico.













