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Zombieland!

Filmes de zumbi são sempre controversos. Uns amam, outros odeiam. E é aqui que Zombieland se destaca, quando mesmo assistindo o filme com uma pessoa que assumidamente detesta filmes de terror e zumbi, sai dando gargalhadas do cinema.

Logo de cara, vemos os Estados Unidos devastados por uma infestação de zumbis, que teve inicio quando um cara comeu um hamburger infectado – OK, é uma desculpa fajuta, mas qual não é? – E então que nos é mostrado nosso protagonista, Columbus (interpretado por Jesse Isenberg), o mais distante possível de um herói desde Wikus Van der Merwe em Distict 9, tentando sobreviver neste ambiente caótico, segurando-se fortemente a uma série de regras que eles mesmo criou para sobreviver, na melhor forma que um transtorno obsessivo compulsivo pode nos presentear.

Andando um pouco mais na história, temos o encontro dos opostos, Tallahassee entra em cena, interpretado pelo fantástico Woody Harrelson, nos mostrando que “Se eles não tem medo, por que deveriamos ter?” E com a vinda de Tallahassee, temos que nem sempre a motivação de um personagem tem que ser algo grandioso como salvar o mundo, lutar pela paz mundial ou curar a AIDS; neste caso é apenas uma incansável busca por Twinkies, a versão americana do nosso delicioso bolinho Ana Maria.

Tallahasse se diverte com os zumbis, matando-os das maneiras mais engraçadas e violentas quanto é possível. Tacos de baseball, banjos e tesouras de jardinagem entram na brincadeira pouco antes de encontrarmos as duas ultimas integrantes desta trupe de sobreviventes. Wichita e Little Rock.

Aqui vale uma pausa para entendermos os nomes das personagens. Columbus, Talahassee, Wichita e Little Rock são nomes de cidades nos Estados Unidos. Talahasse faz uma referência ao “Ultimo Tango em Paris” de Bernardo Bertolucci, quando diz: “No names!” – Sem nomes – e a partir daí, eles se chamam pelos nomes das cidades de onde vieram, ou para onde estão indo. A frase originalmente foi dita pelo excelso Marlon Brando.

Voltando ao filme. É aqui que a aventura realmente começa, as duas garotas, acostumadas a aplicar golpes para sobreviver, roubam as armas dos dois e fogem com o carro deles. Aqui segue uma sequencia de coincidências hilárias que fazem com que o grupo acabe junto novamente, e Columbus, busque sua namorada, e Talahassee uma filha.

Enfim, como filme de zumbi tem que ter muito sangue, gore, balas voando e cabeças explodindo. O melhor lugar para toda essa diversão acontecer é: Num parque de diversões! Isso mesmo, é no lugar mais improvável, que os nossos heróis vão lutar pela sobrevivência. Montanha Russa, Evador que despenca e casa mal assombrada são passagem obrigatória, e Talahassee se diverte como nunca, Columbus finalmente fica com a garota e o bolinho… bom essa eu não quero nem comentar. A cara de Woody Harrelson é impagável.

Vale a pena falar separadamente na participação de um herói. Bill Murray, como ele mesmo! Uma das coisas mais engraçadas do filme. Murray é realmente um dos melhores atores cômicos de todos os tempos. Em pouco tempo de tela consegue ser o assunto do filme, assim como Marlon Brando… Bom, não quero comentar sobre a participação dele para não estragar a cena. Mas simplesmente impecável.

Assim como as ficções científicas, filmes de zumbi são sobre relações humanas. Como as pessoas se comportam em determinadas situações, revelando o intimo de cada uma das personagens. Nos mostram relações familiares, de amizade, de comprometimento com o proximo. A única coisa, é que voam algumas cabeças ou explodem algumas estações espaciais.

Zombieland, é um filme didático para aqueles que não conhecem muito bem a diegese do universo dos zumbis. Nos mostra as relações, a conceito de evolução de armas e a adaptação com a nova realidade, necessária para sobreviver. Única ressalva: Onde estava a Serra Elétrica? Aparição muito curta para uma companheira tão importante! Fora isso. FANTÁSTICO, simpesmente fantástico.

Newton Uzeda




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Frequently Asked Questions About Time Travel

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Só o nome do filme já me chamou a atenção, depois descobri que era protagonizado por Chris O´Dowd, da fabulosa IT Crowd, logo o filme ingles de baixo orçamento tornou-se uma obrigação, dessas que adoramos ser obrigados a cumprir.

A trama se desenvolve quando Ray (Chris O´Dowd), um nerd (ou imagineer, como frequentemente nos lembra) Toby (Marc Wootton), um sonhador e Pete (Dean Lennox Kelly) um cínico; resolvem tomar uma cerveja em um pub no dia em que Ray é demitido do parque de diversões que trabalhava. Entre uma pint (pena não venderem pints no Brasil) e outra Ray encontra Cassie (Anna Faris), garota que alega ser uma viajante do tempo e que cuida para que não sejam cometidos crimes temporais.

De fato existe um vazamento temporal, e ironicamente está no banheiro masculino. Agora Ray tem que usar todos os seus conhecimentos sobre viagem no tempo para evitar que uma grande catastrofe dissolva a linha temporal como conhecemos.

O roteiro escrito por Jamie Mathieson, é recheado de referências a outras obras de viagem no tempo. As capas de Back To the Future, O Som do Trovão (Sound of Thunder) de Ray Bradbury, Terminator e sua linha temporal que é uma variante do Paradoxo do Avô (explicado no filme). Tudo lá, devidamente referenciado e reverenciado. É realmente divertido tentar acha-las no meio do filme. Caso ache mais alguma, comente.

Diversão garantida, um filme sobre viagem no tempo, cultura nerd e ficção científica escrito para quem realmente entende do assunto. Não é um filme para a massa, nem um filme que tenta se fazer didático poara os não iniciados.

Newton Uzeda



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Natural City

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Comprei este filme numa banca de jornal por R$9,99, bem na linha do “por que não?”, sem acredita muito na possibilidade do filme coreano, porcamente traduzido como “A Batalha dos Cyborgues“, ser bom. Notoriamente eu estava enganado. O amalgama entre Blade Runner, Mad Max, Terminator, e O Trigre e o Dragão, prende a atenção do começo ao fim. Teve seu lançamente em 2003, e pelo que me lembro dos filmes de Hollywood do mesmo ano, Natural City não fica devendo em nada tecnicamente.

Visualmente impressionante, tal qual Blade Runner, Natural City buscou em sua cultura oposta influências para tornar a cidade futurista plausível. Blade Runner buscou a influência oriental e Natural City a ocidental, num Yin Yang da construção civil sci-fi. O mesclado entre ocidente e oriente, já discudido por Phillip K. Dick, nos mostra o rumo que nossa civilização globalizada está tomando, e em partes destruindo o cultura local. Assim como acontece hoje na Corea, e também no Japão, que está em constante conflito entre seus costumes e a nova cultura americana/mundial que está se impondo. Natural City, foi ainda mais longe, nos mostrando também como são os arredores da cidade, nos mostrando os “não cidadãos” no melhor estilo de Mad Max, com sua cultura de resistência, e suas prostitutas que já começam a ser deixadas de lado pelas “bonecas“. Sim como a Prix em Blade Runner era uma “pleasure model” (modelo de prazer), aqui temos as Bonecas, robôs criadas para dar prazer e fazer companhia ao ser humano, como uma gueisha cyberpunk.

A própria história é, quardando as devidas proporções, muito parecida com a de Blade Runner. A Robô está com os dias contados, sua bateria está acabando. Ai entra nosso protagonista, R interpretado por Ji-tae Yu, que está apaixonado pela robô dancarina (os actroides que se cuidem) e quer que ela tenha mais tempo. Bom, de batalhas mesmo, só temos duas sequências de ação: Uma logo no começo para acordar o pessoal, e outra no final.

Quanto as cenas de luta, eu não teria colocado os cyborgues saltitantes que parecem mais estar numa olimpiada de acrobatas, que em um combate. Não gosto muito de cenas de luta não verossimeis com o ambiente em que elas são colocadas. Mas visualmente são muito bonitas. Outra coisa, o estilo de narrativa, muito se parece com Animes, e tem sua narrativa mais lenta, o que algumas horas torna o filme massante. Mas depois que me abituei com o ritimo, foi tudo em ordem. Tiraria também a cena de romance sub-aquático à la Tidus e Yuna em Final Fantasy X, mas nada que atrapalhe o filme.

Resumindo, um grande filme para ser assistido, quem sabe em uma grande sessão Blade Runner, Natural City e Max Headroom. Não sei se será fácil de achar em locadoras, mas nessas bancas de jornal que vendem DVDs com certamente.

Newton Uzeda


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Martians, Go Home!

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Os Marcianos invadiram a Terra! E desta vez não é Orson Welles dramatizando para o rádio o livro de um outro Wells (um tal de H.G.) War Of The Worlds (A Guerra dos Mundos) – Que teve duas versões para o cinema, uma boa (1953 – Byron Haskin) e a outra com Steven Spielberg, Tom Cruise e o “prodigio” mirim Dakota Fanning. Desta vez Fredric Brown nos conta um outro tipo de invasão; uma não para conquistar, não para destruir, muito menos uma invasão cultural com trocas – ou imposições – culturais e tecnológicas, mas simplesmente uma invasão para nos deixar loucos!

Sim, os pequenos e intangíveis homens verdes (seriam eles cinzas, segundo Fox Mulder, mas isso é outra história) não querem nada, a não ser nos tirar do sério; e se querem, sempre que questionados eles retrucam com um sonoro “None of you business, Mack!” (Não é da sua conta, Mack!), que aliás é como eles nos chamam: Mack. Simplesmente Mack, sem respeitar ou se preocupar com nossas individualidades e diferenças, se é que temo alguma.

A trama multi-plot gira em torno de Luke Devereaux, um escritor de ficção científica que foi o primeiro homem a ver um marciano, e diversas outras personagens e suas reações diante destes novos moradores da Terra. Sim moradores, visto que eles não parecem querer ir embora tão cedo e nem estão interessados em dar satisfações – none of you business, Mack! A narrativa leva-nos também para outros circulos sociais, mostrando a influência dos marcianos para com eles. Como a vinda dos marcianos afetou deste nossas ações mais corriqueiras como tomar banho e fazer sexo, até a desestabilização do mercado e da bolsa de valores ou relações entre paises outrora inimigos ao melhor estilo dos Homens-Bisolheiros (Watchmen).

Tudo vai indo de mal a pior quando Luke tem uma proposta para escrever um Western (visto que as pessoas não querem saber de alienígenas por um bom tempo) e então, um milagre acontece, Luke tem um piripaque e simplesmente fica cego e surdo para os Marcianos, e ele, somente ele no mundo todo é “imune” a eles. Com isso culminamos em um final realmente surpreendente, onde diversas pessoas ao redor do mundo estão fazendo de tudo para que eles sumam, inclusive Devereaux, e quando eles finalmente somem, cada um fica com a sua versão da história, sempre olhando cada um para o próprio umbigo, sempre achando que nós somos os únicos em todo o universo, num solipsismo requintado. Solipsismo aliás, bastante discutido entre as personagens quando Devereaux deixa de ver os Marcianos.

Martians, go Home” (de 1955), foi um livro que tive a oportunidade de le-lo em sua lingua original e com certamente foi uma experiência das mais agradáveis. Livro rápido de ler e muito gostoso. Vale a pena, mas acho que pode ser um tanto dificil de acha-lo, quem sabe em algum sebo por ai…

Ao final do livro, existe um postscript do autor, dizendo que recebeu uma carta dos editores dele, dizendo que eles estavam mandando o manuscrito para a gráfica, mas que gostariam que ele esplicasse o que realmente tinha acontecido na história. Ele explica, mas acho que perde um pouco do fantástico final aberto que o livro se permitiu. Eu particularmente não gostei de ter lido esta parte. O final com diversas interpretações é indiscutivelmente melhor. Coisas de editores incompetentes.

Procurarei outros livros de Fredric Brown para ler, que aliás, seu conto “The Waveries” foi descrito por Philip K. Dick como “oque pode ter sido o mais significante conto que a ficção científica já produziu!”.

Newton Uzeda


PS: Parece existir um filme com Randy Quaid, que é baseado neste livro. Irei procura-lo e depois comento sobre ele.

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Journey to the Center of the Earth – Viagem ao Centro da Terra – 1959

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Infelizmente não é todo dia que vemos um bom filme de aventura. E tenho que agradecer a minha amiga Luciene por ter escolhido este filme para assistirmos outro dia.

Muitos questionaram, e argumentaram dizendo que temos diversos filmes de aventura hoje em dia, inclusive o remake deste mesmo filme, com Brendan Fraser e patota. Filmes como Velozes e Furiosos 14, ou outro remake de um clássico O Dia em que a Terra Parou(The Day The Earth Stood Still), já analizado por mim em meu blog (clique [AQUI] para ler).

Este não, Journey to the Center of The Earth é um filme de aventura de primeira categoria! Baseado na excelsa obra de Jules Verne, considerado por muitos o “precursor do gênero de ficção científica“, o filme dirigido por Henry Levin nos transporta fielmente a obra original rumo ao centro da terra! Passando por temas como amizade e traição, amor e romance, cruzando a floresta de cogumelos gigantes, cachoeiras de sal, enchentes subterraneas, fugindo dos Dimetrodontes até chegarmos ao oceano subterraneo que nos levará onde se juntam os polos magnéticos de nosso planeta. Sem esquecer é claro da Cidade perdita de Atlantida, fortemente guardada por um Camaleão gigante com uma lingua de 20 metros de comprimento!

Tudo isso me lembrou da teoria da Terra Oca, que nos conta da possibilidade de existência de uma outra civilização no interior da terra, que poderia ser encontrada por uma entrada nas calotas polares, onde existiria uma espécie de oasis no meio da neve. Para saber um pouco mais, entre neste link da [WIKIPEDIA], ou [AQUI].

Voltando: O filme concorreu a 3 Oscar em 1959, época onde o prêmio ainda significava alguma coisa. Fotografia impecável, efeitos sonoros também. O roteiro de Walter Reisch é impecável, no melhor estilo de roteiros clássicos, com todos os arcos em seus devidos lugares, intercalando entre a aventura e comédia na medida certa; ao contrário dos filmes de hoje, que se transformaram em bobagens infantilóides e insossas.

Falando em comédia, um show a parte e a perssonagem Gertrude, uma pata! Sim, ela é de longe a grande atração do filme, possuidora de um carisma impar e com certesa a integrante do elenco que mais sofreu durante as filmagens. Diversas vezes em que tinha que entrar em cena, ela era arremessada pelo contra-regras (desta ez realmente quebrando as regras de bons tratos com os animais) dentro da cena. Gertrude fez de tudo no filme, mostrando o poder da polivalência dos patos. Andam torto, nadam mal e voam porcamente… mas fazem de tudo, e ainda se dão o direito de serem folgados. Não tem bicho mais folgado que um pato, que nasce rebolando e dizendo : “Qualé qualé qualé!” (Adoro essa piadinha!). Grande Gertrude… fou procurar mais filmes com você, com certeza melhor atriz que Dakota Fanning, Vin Diesel e derivados.

Newton Uzeda


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Pi

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Como prometido, aqui está: Pi, filme de Darren Aranofsky, filmado todo em preto e branco, fortemente influenciado por Stanley Kubrick, Kevin Smith e Frank Miller, o filme atemporal, Max, um gênio procura desvendar um padrão nas variações da bolsa de valores usando como base a infinidade decimal do pi. Até ai perfeito, parece ser uma grande ficção… Mas não é! Aranofsky esteve em Israel, e conviveu com alguns judeus ortodoxos que procuravam uma relação entre o Pi e a Cabala.

Junte este ambiente dark e confuso da mente de um gênio, com algumas teorias científicas, Gematria (relação entre os números e letras no Torá) e a Teoria do Caos, e teremos um filme com um rítimo fortemente marcado, com música eletrônica (parte que irrita um pouco, porém traz o filme para o clima certo), cortes rápidos e uma repetição de voice-over que nos transmite a sensação de estarmos presos em um lugar. Como disse Stephen King: “O Inferno é Repetição”.

Voltando na música eletrônica, agora parando para analizar, elas me parecem ter sido escolhidas justamente pelo fato de serem músicas repetitivas. Uma grande seqüência de samplers que parecem não ter fim.

Fato é: O filme realmente nos sufoca do começo ao fim e, ao final, nos traz a mensagem de que a alienação total pode ser a única salvação. E nos mostra isso ao melhor estilo de “O Assassino da Furadeira” (The Driller Killer) de Abel Ferrara, ou Jimmy Boy, mas isso é outra história.

Para os que como eu, gostam de matemática, é um prato cheio (ao contrário da série de TVNumbers“). Outra grande oportunidade é para os que assistiram o Código Da Vinci (The Da Vinci Code) e acharam fantástico, desobrirem que a Razão Aurea, Sequencia de Fibonacci e outros, não são exclusivos de Dan Brown e sua perigosa capacidade de manipular a história (George Orwell, onde está você???).

Interessante também como é mostrado o valor do conhecimento. Max em certo ponto é subornado, e ele fala que sua pesquisa é para curiosidade ciêntífica, não por dinheiro e então lhe é oferecido um super processador que seria capaz de ajuda-lo em sua pesquisa. no melhor estilo de “Não quero seu dinheiro, quero seu silicio!”

Altamente recomendado, grandioso em sua estrutura e mensagem, se separando da grande massa de filmes como poucos. Bom se assistir juntamente com “Um Ponto Zero“, como já disse, sempre assisto esses filmes juntos. Parece que eles tem alguma relação não declarada. Se alguém sacar qual é, comente.

Newton Uzeda





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The Ninth Gate – O Último Portal

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Resolvi escolher, finalmente, um dos meus filmes cabeça-dinossauro para comentar – o soberbo The Ninth Gate (O Último Portal). É possível ainda referenciá-lo com o penúltimo post do Newton Uzeda, que se inicia em um escândalo sexual com uma menor de idade.

Filme dirigido por Roman Polanski e meio que esquecido e desvalorizado pela crítica, não existe sequer uma versão para DVD aqui no Brasil (quase que furto a versão VHS da 2001). Graças ao bom Diabo, Capeta, Satanás, Capiroto, Tinhoso existe o Pirate Bay.

O enredo, de modo simplificado, gira em torno de Dean Corso (Johnny Depp), um negociante de livros raros que é contratado por um acadêmico poderoso com interesses em demonologia – Boris Balkan (Frank Langella) – para que um livro possa ser autenticado, o “De Umbrarum Regis Novum Portis” (ou Os Nove Portais para o Reino das Sombras). Tal obra, reza a lenda, permite a realização de uma invocação satânica conferindo poderes inimagináveis para quem desvende o seu enigma, na forma de nove desenhos. Isso somente é possível, pois esses desenhos foram copiados de um livro apócrifo (o Delomelanicon, primo do Necronomicon que tanto atormentou Bruce Campbell), cuja autoria é atribuída ao próprio Lúcifer.

O filme acerta magistralmente na fotografia, roteiro hipnótico, trilha sonora (de Wojciech Kilar) e direção. Impossível não comentar sobre um possível paralelismo entre a cena em que Boris Balkan toma de assalto o púlpito dos satanistas aristocratas – liderados por Liana Telfer (Lena Olin) – e os ridiculariza, e a cena do De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut, dirigido por Stanley Kubrick) em que o penetra da orgia dos aristocratas é ridicularizado pelo mestre de cerimônia.

É válido analisar o filme pela lógica do conhecimento, já que O Último Portal foi baseado no livro El Club Dumas, de Arturo Pérez-Reverte. O anjo que se rebelou contra Deus e que ganha o título de Portador da Luz tem nos livros a sua morada e manifestação de poder – se o divino é o místico e a fé, o satânico é certamente a Verdade e o questionamento. Roman Polanski ironiza o gênero de filmes sobre ocultismo, saturado de clichês.

É impossível não enxergar os personagens poderosos com certa comicidade, conforme somos expostos às falas vazias, rituais esdrúxulos e veneração cega – mas de tal modo que o elemento principal, ou seja, o conhecimento proporcionado pelo livro é apresentado como instrumento para que o homem possa reger o mundo. O mais assustador, justamente, é o destino de Dean Corso, que é alheio a todo e qualquer tipo de crença.

Seria interessante também chamar a atenção para um sub-tema: a presença imprescindível do feminino na jornada de transformação do masculino (os opostos primordiais e todo aquele blá-blá-blá do qual todos já estão cansados). Emmanuelle Seigner, já fora dirigida por Polanski em outro filme altamente recomendável (Lua de Fel, ou Bitter Moon), faz parte da (minha) tríade de atrizes-musas, sendo as outras duas integrantes Juliette Binoche e Lena Olin. Alguém consegue distinguir cada estereótipo da mulher atraente? Acredito que isso seja bem didático após o auxílio das três.

Falando em trilogias, O Último Portal fecha (para mim) o ciclo de finais com o tema “O indivíduo e o mundo” – definição que soa como um trabalho de sociologia de quinta categoria, mas acreditem, a outra que tenho em mente mais parece título de livro de auto-ajuda

O primeiro é o Blade RunnerO Caçador de Andróides (versão do diretor). O segundo é o Unbreakable (Corpo Fechado). Cada filme pede uma resenha própria – o primeiro, que não fez sucesso logo de cara, passou a ser cultuado. Já o segundo, por ser mais novinho, carece de um grupo que dê início a sua aura de “cult“.

Finais sem finais sempre caem bem (não confundir com finais-em-aberto).

Der Springer

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Um Ponto Zero – One Point O (2004)

paranoia09

Existem boas pessoas, e existem más pessoas e elas estão a caminho,
E elas querem você, Simon,
As pessoas más podem salvar você, mas não vão…
As pessoas boas querem salvar você, mas não podem…

Neste fim de semana, resolvi reasistir este filme de Jeff Renfroe e Marteinn Thorsson. Um Ponto Zero (One Point O) também conhecido como “Paranoia 1.0“, conta a história de Simon (Jeremy Sisto), um programador de computadores que vive solitário em um apartamento alugado, com um prazo de entrega lhe apertando o pescoço, auxiliado por um aluguel atrasado. Simon sai de seu universo conhecido quando uma misteriosa caixa embrulhada em papel pardo aparece dentro de seu apartamento e, ao abri-la descobre não haver nada dentro dela. Após este incidente Simon desenvolve uma paranóia intensa, acompanhada por um desejo incontrolável de consumir “Nature Fresh Milk” (algo como: Leite Natureza Fresca).

A trama de complica, quando outras personagens vão aparescendo, como o Senhorio, um vizinho que curte um role-play sexual, uma enfermeira também moradora do prédio, e um alemão tecnomaníaco que está construindo uma cabeça de um robô; cada qual com os mesmos sintomas, porém por produtos diferentes: carne farm, cola 500, ou um determinado suco com vitamina B-alguma-coisa.

Os únicos que não exibem nenhum sintoma são Howard (interpretado por Lance Henriksen -Millennium; Aliens, O Resgate; Terminator), um factotum do condomínio, que se vangloria de ser um vagabundo. Mora num lugar apertado e produz seu próprio vinho; e Nile (Eugene Byrd), um motoboy auto-nominado Red Currier, que atende por telefone e compra as coisas que Simon precisa e entrega na casa dele. Definitivamente um serviço que deveria existir.

Vamos lá, análize rápida: O filme, como todo bom sci-fi, faz referências a coisas que já acontecem em nossas vidas e as colocam de formas ligeiramente (ou absurdamente) extrapoladas, a fim de nos mostrar um ponto de vista sem correr o risco de ser censurado ou algo parecido. Neste caso expecífico, o filme faz referência ao mercado, e a forma que ele sempre encontra um modo de atingir seu público. Isto é colocado no filme quando atravéz do virus que é colocado em Simon e nos moradores do prédio, que coloca SPAMS (Monty Phyton???)de produtos em seus cerebros. O Red Curier, é o vendedor, que se faz de amigo para vender o produto. E o herói, é justamente Howard, um vagabundo economicamente inativo, que não consome e não gira o dinheiro. Howard produz seu próprio vinho e seus próprios divertimentos, os Bugs (ai vem como o termo utilizado na informática mesmo…), que são uma ameaça para o mercado, um problema para o mercado. Howard não foi comprado, e não compra… ele não foi assimilado. Qualquer referência aos Borgs de Star Trek, é mera coincidência…

Um cenário cyberpunk atemporal, introspectivo, que nos leva a um futuro próximo (talvez atual),com computadores e relógios de corda convivendo lado a lado, nos passando a impressão que pode acontecer em qualquer época, ontem ou amanhã; totalmente sombrio como o próprio mercado com suas intenções obscuras o é. Absolutamente (in)crível como um filme destes não foi devidamente divulgado, nem no mercado americano nem no brasileiro. Um filme, sem explosões ou efeitos expeciais chiques e clichês para atrair a massa, que dificilmente entenderá o filme, porém um filme interessantíssimo, afiado e sufocante, nos deixando apreensivos com o rumo que tomamos.

Sempre que assisto a este filme, gosto de assistir na sequência o п (Pi – 1998) de Darren Aronofsky. Os filmes não tem qualquer ligação, porém o clima é muito parecido. Escreverei sobre ele em breve, visto que acabei de assisti-lo, logo aprós Um Ponto Zero.

Newton Uzeda



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Wag the Dog – Mera Coincidência

Wag the Dog

Wag the Dog

Por que o cachorro abana o rabo? Porque ele é mais esperto que o rabo…

O Presidente dos Estados Unidos se envolve em um escandalo sexual com uma menor de idade que visita a Casa Branca, e isso fantando apenas 11 dias para as eleições, onde ele estaria praticamente reeleito para um segundo mantato. História real? Embora se pareça muito com a verídica protagonizada por Bill Clinton, não; esta é fictícia, porém até que ponto?

No filme com cara de documentário/making of de uma guerra dirigido por Barry Levingson, logo após o incidente o Mr. Fix-It (Robert De Niro) é chamado para resolver o caso. Ele resolve criar uma distração em forma de guerra, contra a Albânia, um pais que pouco ou nada se sabe… “Não podemos declarar guerra a um pais!” Diz um dos acessores do presidente, que alias nunca é mostrado de frente, nos dando a impressão que poderia ser qualquer um… “Os Estados Unidos não declaram guerra desde a Segunda Guerra Mundial, nós VAMOS à guerra…” é a realista resposta de Conrad Brean (De Niro), fazendo referência a guerras subsequêntes, e curiosamente anterior a caça fictícia aos terroristas liderada por George W. Bush, quase como se fosse uma previsão.

Para tal, De Niro precisa da ajuda de um produtor de Hollywood, para que seja criada a guerra contra a Albânia. É ai que entra Dustin Hoffman, interpretando grandiosamente Stanley Motss, um produtor que tem raiva por não darem Oscar para produtores. Para Motss, tudo isso é fichinha perto dos problemas que ele enfrenta produzindo filmes para Hollywood, e vez por outra solta seu chavão: “Isso não é NADA! Vocês precisavam ver quando….” E é nesta hora que ele toma as redeas e convoca toda uma trupe de produtores, compositores, roteristas e consultores para criar a guerra. Agora não existem mais limites, é composta um tema musical para a guerra, criam uma Albânia destruida por bombardeiros com o grande atual melhor amigo de George Lucas, o cromakey (“Uma vez inventado… sempre utilizado”) porém a oposição consegue mostrar que a guerra estava acabando…

É verdade! Eu vi na TV!” Diz Brean com uma sábia ironia, que nos machuca ao ouvir. E neste ponto nos perguntamos se o filme é realmente fictício. Mas antes que Brean pudesse lançar o seu próprio chavão de “Estou trabalhando nisso”, Motss resolve a situação criando um “Herói” (Woody Harrelson), deixado para trás, cercado além das linhas inimigas. É composta uma nova música, que eles simplesmente colocam na Library of Congress como se fosse uma música antiga, assim como George Orwell previu em seu magnífico 1984: “Aquele que controla o presente, controla o passado. Aquele que controla o passado, controla o futuro.

Não é a primeira vez que Hoffman interpreta um papel assim, no mesmo ano de Wag the Dog, ele interpretou Max Brackett, ao lado de John Travolta em Mad City. Em Mad City, Bracket é um jornalista falido que resolve criar um show na TV, quando é o único jornalista com contato com um “sequestrador”… Filme recomendado.

Voltando: O escandalo sexual já foi esquecido a muito tempo, e mesmo tudo sempre dando errado, a dupla sempre consegue contornar a situação e desviar a atenção do público. Até James Belush aparece, interpretando ele mesmo, pois ele é descendente de albanês. Filme muito divertido, bem dirigido, com alguns zooms repentinos, e imagens por vezes granuladas nos transportam realmente para o making of de uma guerra.

Filme grandioso, bem dirigido, com um roteiro envolvente e satirizando nossa própria sociedade, de um modo poucas vezes visto antes. Será que Bush se inspirou neste filme ao exercer seu papel como presidente da nação mais poderosa da Terra? hmmm terá esta sido mais uma das vezes que a arte inspirou a realidade, seguindos os passos de Isaac Asimov, George Orwell, Fritz Lang entre tantos outros? Ou será este apenas mais um modo de assimilarem os vanguardistas revolucionários para o mercado, transformando-os em produtos que possam ser facilmente catalogados, referenciados e vendidos? Fica a pergunta.






Newton Uzeda

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Afro Samurai

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Como sempre, acabei complicando as coisas. Resolvi assistir Afro Samurai – Ressurection para só então devorar a série, curtíssima por sinal, com apenas 6 episódios. Uma breve digressão me obriga a comentar sobre as séries inglesas, que também adotam essa abordagem. Se menos é mais, então Michael Scott (interpretado por Steve Carrel), o chefe alucinado da versão norte-americana do excelente The Office, destila toda a sua sabedoria com a “regra do beijo”, ou KISS:”Keep it simple, stupid!”. Essa é uma lição que eu ainda vou penar muito para aprender (ainda mais divagando desse jeito)…

A concisão da série Afro Samurai permite que a história se desenvolva de modo cativante. Momentos de clímax, em que revelações feitas durante os combates nos remetem aos fabulosos filmes Spaghetti Western, estão perfeitamente intercalados por flashbacks, rendendo momentos de descanso mental para toda a ação, combate, sangue e hip-hop(?)!

Logo de cara, quando um amigo me recomendou a série, achei que a premissa do Afro Samurai iria forçar a barra além dos limites tarantinescos mas, por que não ninjas?, um samurai sangue-bão em busca de vingança certamente está imbuído com todo o espírito desse blog.

A animação é bem ágil sem ser, no entanto, confusa. O traço dos personagens é um tanto quanto caricato, o que cria um contraste interessante com os backgrounds realistas e belos.

O que mais me chamou a atenção nesse desenho foi a dublagem. Afro e seu amigo Ninja Ninja são dublados por Samuel L. Jackson (Pulp Fiction, Star Wars ou aquele cara no avião com as cobras, alguém aí se lembra do nome?) e Justice, aquele que matou o pai do Afro, é dublado por Ron Perlman. Já no segundo filme, Sio é dublada por Lucy Liu e Bin, o líder ciborgues, é dublado por ninguém menos que Mark Hamill. Lado a lado com os astros de Hollywood estão figuras já consagradas na dublagem como Grey DeLisle (mais fácil entrar em www.greydelisle.com), que rende a voz para Oyuki (na série) e para a ciborgue Tomoe (no filme) e Yuri Lowenthal (Sasuke Uchiha em Naruto, Simon em Gurren Lagann e Ben Tennyson em Ben 10), que dá vida ao ciborgue Jinno. Para quem acha que os gringos não acertam a mão na dublagem, vale a pena conferir esse desenho, híbrido de anime com cartoon-network (e com muito, mas muito sangue).

Não vou transcrever as sinopses (de tão toscas, poderiam afugentar possíveis interessados), muito menos fazer um resumão de todo o enredo, já que o final (tanto da série quanto do filme) realmente faz valer a pena assistir a tudo. Uma sugestão para interpretar a série é a de comparar a real identidade do Ninja Ninja ao Justice e seu trono supremo onde ele guarda todas as bandanas. Oops, quase que solto um spoiler.

Dentro da piração, a série é um tanto quanto solene em relação à idéia de vingança – essa impressão desaparece completamente no filme. Logo na primeira batalha, Afro enfrenta dois espadachins caracterizados como esgrimistas, com direito à máscara de proteção para o rosto e uniforme. O ursinho de pelúcia amado por todos e ainda assim bad-ass, Jinno, retorna com uma aliada, Lady Sio, a então detentora da bandana do ‘Número Um’, apenas para aporrinhar o nosso herói – ou devo dizer, vilão? Todos esses temperos engrossam o caldo “Japão feudal futurista” (como não pensei nisso antes?!) tornando o filme mais divertido do que a série.

Último detalhe, que me rendeu boas risadas: reparem como o Ninja Ninja bola pernas de grilo durinhas e fininhas, ao passo que o Afro se contenta com os pastéis mais nojentos do mundo!

Der Springer

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